Saudação do Presidente do Conselho Directivo
do Sporting Clube de Portugal
Saúdo a Comissão das Comemorações do Centenário do Sporting Clube de Portugal e o cineasta Lauro António pela organização de mais esta fantástica iniciativa, pioneira em Portugal, que é o Fest_Sport, Lx’2006.
Os Sportinguistas vão agora ter acesso a um conjunto de filmes relativos à memória colectiva da glória desportiva do Clube e dos seus atletas e também às alegrias e dramas do desporto mundial.
É com orgulho que vejo mais uma vez o Sporting Clube de Portugal a ganhar claramente aos seus principais adversários, que já celebraram centenários, não só em número, mas também na qualidades das iniciativas já realizadas e a realizar até 1 de Julho próximo, dia em que celebraremos os 100 anos deste nosso grande Clube que tão brilhantes serviços tem prestado a Portugal.
O Fest_Sport, Lx’2006 irá ser certamente um sucesso em termos de aceitação pelos sócios e simpatizantes do Sporting e pelos desportistas Portugueses em geral.
Estou certo que, em ano de Centenário, o Sporting Clube de Portugal irá reforçar o desígnio do Visconde de Alvalade quando disse “Queremos que este clube seja tão grande como os maiores da Europa”.
Viva o Sporting!
Viva o Centenário!
Estádio José Alvalade, 10 de Abril de 2006
Filipe Soares Franco

Mensagem do Presidente da Comissão das Comemorações
do Centenário do Sporting Clube de Portugal
Das dezenas de iniciativas do primeiro Centenário do Sporting Clube de Portugal, o Fest_Sport, Lx’2006, ocupa um lugar especial por se tratar do primeiro Festival Internacional de Cinema e Audiovisual sobre Desporto realizado em Portugal.
O Fest_Sport, Lx’2006 é fruto de uma feliz parceria entre a Comissão das Comemorações do Centenário e esse grande Sportinguista e ilustre cinéfilo que é Lauro António de Carvalho Torres Corado que, em regime de completo voluntariado e com uma energia contagiante pôs de pé o Fest_Sport, Lx’2006.
O entusiasmo e a dedicação postos nesta iniciativa pioneira fizeram aderir ao Fest_Sport, Lx’2006, um conjunto de entidades e individualidades que permitiram levar à prática aquilo que começou por ser uma visão, um desejo.
O cuidado posto na programação do Fest_Sport, Lx’2006 e no regulamento do concurso são a garantia de que os desportistas em geral e os Sportinguistas em particular terão oportunidade de viver, entre 17 e 22 Abril 2006, no Forum Lisboa, no Alvaláxia, no S. Luís e no Auditório do Estádio José Alvalade, inesquecíveis feitos desportivos relacionados não só com o Sporting, mas também com outros protagonistas nacionais e internacionais.
No Centenário do Sporting Clube de Portugal cujo lema é “A honra do passado. O orgulho do presente. A conquista do Futuro”, o meu reconhecimento vai para os membros da Direcção do Festival, para o Júri do concurso, para as distribuidoras que cederam obras a título gratuito e para todos que, de uma forma ou outra, tornaram possível este Fest_Sport, Lx’2006. Os inestimáveis serviços prestados pelo Sporting Clube de Portugal ao desporto nacional, à juventude Portuguesa, ao País, nestes 100 anos, justificam o apoio desinteressado que, de muitos, recebemos e agradecemos.
Em ano de Centenário, o Sporting mantém-se como a maior potência desportiva nacional, sendo claramente o clube nacional que mais atletas deu ao olimpismo Português e um dos três maiores da Europa em número de taças europeias conquistadas. O Sporting Clube de Portugal é, e continuará a ser, uma escola de desporto, uma escola de campeões.
Ernesto Ferreira da Silva
(Presidente da Comissão das Comemorações do Centenário
Do Sporting Clube de Portugal)

_IMAGENS SOBRE O DESPORTO
Há já alguns meses, resolvi escrever à direcção do Sporting Clube de Portugal uma “Carta Aberta sobre Cultura”, texto que apareceu publicado nas páginas do Jornal “O Jogo”, de 3 de Setembro de 2005. Para lá da minha assinatura, aparecia ainda o nº de sócio do SCP (0016611-0), para não haver dúvidas sobre quem escrevia e por que o fazia.
Parece-me interessante reproduzir aqui o texto, que de alguma forma já faz parte da história do SCP, pelas repercussões que posteriormente teve. Dizia então assim:
Sou sócio do SCP há muito tempo. Fui, deixei de o ser, voltei a sê-lo. Sou Sportinguista ainda há mais. Desde que me lembro, recordo-me muito miúdo a ouvir na rádio jogos de futebol, ainda no tempo dos violinos. Daí para cá a música tem variado, com afinações e desafinações diversas, mas o sportinguismo não vacila. Foram dezoito anos sem ser campeão, mas nesta coisa de clubes não se vira-casaca. Estivemos mesmo para ganhar tudo e tudo perdemos? Pois na semana seguinte a tristeza era muita e o desespero imperava, mas cá estamos de novo, a esfregar as mãos, sim senhor!, e a dizer
que este ano é que vai ser! Esta mística de se pertencer a um clube, não se explica, sente-se. Pode mudar-se de partido ou de religião, não se muda de clube, por maiores que sejam as divergências com os directores, por mais forte que seja a incompatibilidade com as teorias do treinador, por mais vincada que seja a desilusão na equipa de futebol. Todos passam, o clube fica. No fundo de cada um de nós há sempre algo que nos diz para ter confiança, para crer, para acreditar até no treinador que nunca fez a substituição certa ou no jogador que nunca acertou na baliza: há sempre um dia de sorte, quem sabe? Ou não se trata de um jogo?
Mas se é muito bom ser sportinguista (como será para outro qualquer ser portista, vimaranense, setubalense ou adepto do carcavelinhos), não podemos muitos de nós aceitar a situação a que o desporto, particularmente o futebol, chegou nos últimos tempos. As desconfianças são tantas e as certezas também são bastantes que muita gente, mas mesmo muita, acreditem!, não confia nem em dirigentes, nem em treinadores, nem árbitros, nem em Ligas ou Federações, nem mesmo no apanha bolas que demora tempo demais a colocar a bola em jogo.
O Sporting Clube de Portugal faz cem anos, e anunciou as comemorações, que já se iniciaram. O Sporting tem sido pioneiro em muitos aspectos no nosso país. É altura de o voltar a ser em algo absolutamente urgente, premente e essencial. Um clube desportivo como o Sporting movimenta vontades (e boas vontades) de milhares de sócios e adeptos, dispersos por cada pedaço de terra onde se fala português, e mesmo noutros pedacinhos onde não se fala português, mas há um forte sentimento para com o clube.O Sporting tem feito muito pelo desporto em Portugal, mas os clubes têm feito muito pouco pela cultura neste país. Se os clubes portugueses quisessem, a situação cultural seria profundamente diferente. Muitas têm sido as comemorações de aniversários por esses clubes fora, sem que tenha havido um olhar diferente para a
cultura. Cabe agora ao Sporting ser distinto.
Durante o ano da celebração do seu centenário, o SCP tem à sua frente a hipótese de ser diferente, de revolucionar por completo a situação do desporto no nosso país, introduzindo nas comemorações uma forte tónica cultural que transforme de alto a baixo a forma de sentir um clube e a mística colectiva que o faz tão grande, e o fará ainda maior.
O SPC tem de se abrir à cultura, de fomentar a cultura entre os seus sócios e
simpatizantes, de estabelecer laços culturais com outros clubes, de enfim mudar esta clubite ordinária de alguns desordeiros das claques (que fazem tomar a parte pelo todo, injustificadamente) numa fraternal afirmação de amor ao seu clube, mas de partilha amiga com o adversário.
Muito brevemente passo a enumerar um conjunto de medidas que podem ser postas rapidamente em prática e que transformariam o clube do dia para a noite, sem alterar em nada, antes sublinhando a linha matriz deste emblema.
Tal como muitos outros clubes, o SCP tem entre sócios e adeptos personalidades dasmais destacadas em Portugal nos vários ramos do saber, da cultura, do pensamento, da arte, do espectáculo. Apelar à sua colaboração é um acto de justiça e de grandeza, a que nenhum certamente se furtará.
Congregando vontades desde a Direcção aos sócios e simpatizantes, recrutando algumas verbas em organismos vocacionados para o efeito, facilmente se poderia criar um Congresso do Centenário, onde cada personalidade convidada (do mundo da cultura, da arte, das letras, do espectáculo, da política, da ciência, da economia, etc.) poderia testemunhar, de uma forma ou de outra, a sua ligação ao clube.
Exemplos? Jorge Sampaio comunicaria como se ligou ao SCP, Eduardo Prado Coelho como sofre com os resultados e de como já deixou de frequentar o Estádio porque a sua presença parecia enguiçar os resultados, Marina Mota falaria de como desde sempre vê os jogos dos seus ídolos, Fernando Mendes, Júlio Isidro, tantos e tantos trariam a sua colaboração, o seu testemunho, que depois seriam reunidos em volume e posto à venda pelo próprio SCP.
No jornal semanal do SCP, que tal criar um suplemento de quatro páginas (apenas quatro páginas, enquanto não houvesse anúncios, que os haveria de certeza!) dedicadas ao cinema, música, livros, teatro, etc.? Quando, há uns meses atrás, me fizeram uma longa entrevista para esse jornal, já eu me oferecera para criar uma secção de cinema e DVDs. Para escrever sobre música, livros, teatro, televisão, facilmente se arranjariam nomes que assegurassem textos de qualidade e interesse que criariam mais assinantes seguramente.
Tendo o Sporting as salas de cinema do Alvaláxia à sua disposição por que não criar um Festival de Cinema e Vídeo sobre Desporto? Uma semana por ano, com obras de todo o mundo, convidados ligados ao cinema e ao desporto, mesas redondas sobre o Desporto e o Cinema, a Televisão, etc. Digam-me que sim e em seis meses põe-se o festival de pé, criando uma boa imagem nacional e internacional para o Clube e para o País.
Numa data a acordar, e que teria de ter uma ressonância importante para o Clube, por que não criar uma gala protagonizada por todos os artistas sportinguistas, mas convidando a estar presente, num saudável intercâmbio, artistas adeptos de outros clubes que trariam a saudação especial do FCPorto, do Benfica, do Barça, do Chelsea, de todo o lado. Seria uma lição que semanalmente se poderia intensificar com embaixadas culturais do Clube enviadas a outras terras e outros clubes: quando a equipa de futebol do SCP fosse jogar a Leiria, deslocava-se o Coro (não sei se há, se não há, cria-se!), quando fosse a Guimarães, ia com os jogadores o grupo de teatro amador
(não sei se há, se não há, forma-se!), quando o SCP fosse a Barcelona, que tal enviar a
Marisa (não é do Sporting? Que pena, gosto de a ouvir cantar e seria bom tê-la como emissária!).
Meus Caros Directores: espero que esta missiva desencadeie um movimento no sentido para que foi criada. Vai aberta a carta porque fechada podia extraviar-se e ninguém ouvir falar dela. Assim, se algum jornal pegar nela, todos conhecerão o seu teor e ninguém poderá dizer que nunca ouviu falar. (Em tempos escrevi a uma direcção do SCP propondo realizar um documentário sobre o meu ídolo dessa altura, Carlos Lopes, e ninguém me respondeu até hoje: eu oferecia os meus trabalhos gratuitamente! Devem ter achado fartura a mais!). Espero que outras pessoas, outros sócios, outros simpatizantes se associem a este movimento, sugerindo novos cartazes, outras iniciativas. Mas sobretudo há que não abandonar a ideia central: transformar o desporto e as rivalidades existentes numa festa, mudar o ódio mesquinho ao inimigo
(que não existe!), pelo olhar fraterno ao adversário que obviamente se quer derrotar em campo (como ele nos quer derrotar a nós), mas que não passa de um comparsa de um jogo que acaba logo que o árbitro apita para dar por terminada a sessão. Depois do jogo, que tal assistir, em conjunto, lado a lado, a uma peça de teatro, um concerto ou um colóquio sobre uma autor em voga?
Este seria ainda muito mais o meu Sporting! Creio que seria o Sporting de muitos milhares, de milhões. Um exemplo que frutificaria, estou certo. Vamos lutar por esta pequena transformação no ano do centenário?
Foi em Dezembro que a direcção do SCP por intermédio de amigos comuns me fez chegar a informação de quer o Dr. Ernesto Ferreira da Silva, Presidente do Conselho Fiscal e Presidente da Comissão das Comemorações do Centenário do SCP gostaria de falar comigo e de ouvir, de viva voz, o que eu tinha a dizer sobre a matéria. Ficou aprazada uma reunião, no sétimo andar do edifício Visconde de Alvalade, onde se encontra o centro nevrálgico das decisões ao mais alto nível do SCP. Devo reconhecer que foi com emoção que aí entrei pela primeira vez. Foi durante essa reunião que mais uma vez defendi que julgo de extrema importância os clubes desportivos portugueses interessarem-se abertamente pela cultura, não só física, mas intelectual, promovendo iniciativas que mobilizariam seguramente o entusiasmo e o amor clubista, mas que poderiam interessar outros públicos e fazer do desporto algo de que ele se afasta progressivamente: uma forma de contacto, de relacionamento, de diálogo entre pessoas, entre cúmplices de um mesmo projecto desportivo, é certo, mas sobretudo entre seres solidários naquilo que há de mais importante no homem, a sua fraternidade. Fazer dos clubes pólos de sensibilização para a cultura, para a civilização, para o desfrute da arte, mas ir ainda mais longe: transformar os clubes não em centros de atrito mesquinho e de confronto violento, mas em sociedades donde pode, e deve, irradiar uma sadia galvanização da paixão clubista, mas, donde, passadas as horas do jogo, pode, e deve, igualmente surgir um urgente reforço de conceitos e valores de Humanidade, solidariedade, fraternidade. O desporto, como qualquer actividade
humana, não deve servir para dividir e afastar, mas para unir e sedimentar laços de amizade, na diferença.
É importante não sermos todos iguais, mas é essencial que sejamos todos tolerantes.
Nessa primeira reunião, apresentei algumas propostas concretas para mobilizar sócios e não sócios do SCP para a cultura.
Entre elas a da criação do FEST_SPOR_LX, 2006, I FESTIVAL INTERNACIONAL DE CINEMA E AUDIOVISUAL SOBRE DESPORTO DA CIDADE DE LISBOA, certame cuja primeira edição, para coincidir com as comemorações do Centenário, teria de ser preparado desde logo, para se poder realizar Abril de 2006, tendo em conta a sua continuidade em anos futuros.

E logo ali dei algumas sugestões. Lançar várias secções a concurso, tais como 1.Futebol
(A. O Futebol, B. Personalidades, C. Clubes), 2.Olimpismo e 3.Outros desportos. Criar ainda várias secções paralelas (não a concurso), com Filmes em 35 milímetros e DVD sobre desporto (ficção e documentarismo), retrospectivas (o olimpismo, os campeonatos do mundo, etc.) e ainda “O Sporting em Imagens” (que iria recolher imagens de arquivo, de particulares e de entidades oficias, como os canais de televisão, para constituir uma videoteca própria). Seria criado um Júri, de preferência Internacional, para atribuir dois Grandes Prémios, Melhor Obra e Melhor Obra em língua portuguesa, e ainda prémios em cada categoria (seriam os Leões de Ouro e de Prata do SCP, não de Veneza!). Desde logo me ofereci para organizar o festival, sem qualquer regalia financeira, apenas contando com o prestígio do SCP para angariar
apoios e com o meu amor à camisola. Tudo isso se conseguiu em cerca de três meses, o que poderia bem dar entrada no Guiness! O festival aí está. Não o que prevemos para futuro, mas o possível nestas condições. Calculo mesmo que o “possível” é até muito bom.
Mas nessa reunião sugeriram-se várias outras actividades, que lentamente se vão concretizando.
Criar no jornal do Sporting um Suplemento, com quatro páginas semanais de
colaboração nas áreas do cinema, literatura, poesia, teatro, artes plásticas, fotografia, sociologia, música, etc., convidando sportinguistas para, em cada área, escreverem (ou colaborarem de outra forma: fotografia, por exemplo) no jornal, semanal ou quinzenalmente, de maneira a haver sempre algumas páginas dedicadas a temas de cultura e actualidade.
Nesta altura, ainda não temos o suplemento, mas já por lá se pode ler uma crónica de cinema e alguns apontamentos dedicados a cultura, tudo sob o olhar amigo e atento do Artur Agostinho e do Hub Teixeira.
Mais se propunha um Concurso Literário, destinado a escritores consagrados ou a revelações, que mandariam contos ou crónicas tendo por tema o Sporting ou o desporto, com a intenção de tentar motivar escritores consagrados a concorrerem, mesmo que extra-concurso, por forma a poder publicar-se depois uma antologia. O Eduardo Prado Coelho foi convidado a coordenar esta iniciativa. O mesmo se poderia dizer de um Concurso Fotográfico, destinado a fotógrafos consagrados ou a revelações, tendo como tema trabalhos dedicados ao desporto, ao SCP ou ao Centenário do SCP. Um outro sportinguista, Homem Cardoso coordenará o projecto.
Mas outras iniciativas se falaram, umas em andamento, outras em stand by, esperando futuras oportunidades, tais como uma grande exposição de artes plásticas, com edição de uma serigrafia alusiva ao Centenário, actividade o que seria coordenada pelo pintor David Almeida.

Uma ideia de que não desisti ainda foi a criação de um grupo de teatro, lançando um apelo através do Jornal do Sporting (anúncio), jornais desportivos (notícias), podendo os ensaios decorrer numa sala do complexo desportivo do Sporting, convidando encenadores de forma rotativa. Seria interessante reforçar a actividade do grupo coral, lançar um grande concurso nas escolas portuguesas, com o tema “por que sou do Sporting?”, onde os jovens se poderiam exprimir através de redacções, desenhos, fotografias enviadas por alunos de escolas de todo o País (e das comunidades portuguesas espalhadas pelos quartos cantos do mundo).
Julgávamos ainda de toda a importância preparar uma Grande Gala do espectáculo (no Casino do Estoril, no novo Casino de Lisboa?) para encerramento das Comemorações do Centenário, com participação de músicos, actores, humoristas, compositores, cantores, fadistas, etc. do Sporting Clube de Portugal, e de outros clubes que queiram associar-se. Moniz Pereira e Delfins coordenam, e durante o espectáculo poderiam ainda ser atribuídos os prémios dos Concursos literário e fotográfico.
Deve desde já sublinhar-se um aspecto que me fez sentir ainda melhor como sócio do SCP: a inteira abertura e mesmo entusiasmo manifestado primeiramente pelo já meu amigo Dr. Ernesto Ferreira da Silva, e depois por toda a Direcção e Corpos Gerentes do clube com quem tive oportunidade de trocar ideias e privar. Na verdade, o SCP é um clube diferente, e mais uma vez pioneiro em Portugal e no mundo.

O I FESTIVAL INTERNACIONAL DE CINEMA E AUDIOVISUAL SOBRE DESPORTO DA CIDADE DE LISBOA, irá pois decorrer em Lisboa, entre 17 e 22 de Abril de 2006, e terá, além de várias secções paralelas não competitivas, uma secção a concurso com obras que abordem a temática desportiva, quer de um ponto de vista documental, quer ficcional.
Nas secções paralelas, extra concurso, teremos filmes em 35 milímetros e DVD sobre desporto (ficção e documentarismo)
1 - SCP/ RTP uma retrospectiva do SCP visto através de alguns programas da RTP;
2 - O DESPORTO HOJE, NO CINEMA (filmes actuais onde o desporto ocupa lugar destacado: “Cinderella Man”, de Ron Howard, “Munique”, de Steven Spielberg, “Joga como Beckham”, de Gurinder Chadha,“Million Dollar Baby”, de Clint Eastwood,“Golo!“, de Danny Cannon,“Dias de Futebol”, de David Serrano);
3 – CLÁSSICOS (obras de referência sobre o desporto, entre ficção e documentarismo: “Os Deuses do Estádio”, de Leni Riefenstahl, “Fuga para a Vitória”, de John Huston, “Rollerball”, de Norman Jewison, “Touro Enraivecido”, de Martin Scorsese, “Os Vencedores”, de George Roy Hill, “Le Mans”, de Lee H. Katzin, “Momentos de Glória”, de Hugh Hudson, “Os Irmãos Marx na Universidade”, de Norman Z. McLeod, “Um Domingo Qualquer”, de Oliver Stone, ou portugueses “O Leão da Estrela”, de Arthur Duarte ou “Belarmino”, de Fernando Lopes)
O Júri deste I Fest_Sport_Lx_2006 será constituído por sete personalidades de
reconhecido mérito nos domínios da arte, letras, audiovisual ou desporto. Presidido por Artur Agostinho, conta ainda com a presença de Raul Solnado, Moniz Pereira, Vicente Moura e Alexandre Baptista. Nomes de peso para um
julgamento sereno sobre as obras vindas de todo o mundo e que abordam o fenómeno desportivo nas suas mais diversas vertentes.
Finalmente, devo agradecer a colaboração prestada pela Câmara Municipal de Lisboa, nomeadamente pelo seu Vereador da Cultura, Dr. José Amaral Lopes, e ainda pela Administração da Egeac,nomeadamente pelo Dr. Rui Andrade e toda a sua equipa, pela cedência do Fórum Lisboa e o Jardim de Inverno do São Luiz, e outras facilidades; à administração dos cinemas Millenium, do Alvaláxia XXI, pela cedência de uma sala para projecção de duas secções paralelas do Festival (“Clássicos”e “O Desporto Hoje, no Cinema”), e ainda à Direcção da RTP pela organização e disponibilização de material de arquivo para uma retrospectiva SCP /RTP, que marcará seguramente o inicio de frutuosas colaborações com todos os canais de televisão portugueses, onde se arquiva muita da gloriosa história do SCP. Agradecemos igualmente a disponibilidade de algumas distribuidoras pela cedência de filmes para os ciclos e uma palavra de muito apreço vai ainda para produtores, distribuidores e realizadores que nos quiseram enviar as suas obras para serem projectadas a concurso nesta primeira edição do Fest_Sport_Lx_2006. Sem o empenho de todos eles, esta ideia não passaria disso mesmo, uma ideia.
E pronto, Som!, Luzes!, Acção! Vai ser dado o pontapé de saída. Estamos portanto em plenos domínios da paixão. Para quem sempre viveu de paixões e as procurou transmitir, de uma forma ou de outra aos outros, este é um momento de pura magia.
Com o relvado do estádio lá em baixo, com a sala de cinema na escuridão, com o ecrã a iluminar-se de luzes e sombras fantásticas, explode coração e vê se aguentas tanta emoção!
Lauro António
(director do Fest_Sport_Lx_2006)

_SOBRE CINEMA E DESPORTO
Numa altura em que tanto se fala de Desporto em Portugal (e no mundo) e onde a indústria do espectáculo desportivo ocupa um lugar relevante, quer em termos sociais como económicos, numa época em que se procura saber onde devem parar as relações entre o Desporto e a Política, num período da vida nacional onde se aponta o dedo corrupções indesmentíveis e “ligações perigosas”, um festival de cinema e audiovisual dedicado ao desporto creio ter toda a legitimidade para existir e merecer uma atenção especial.
Por outro lado surge igualmente um conjunto de situações invulgares e conjunturais que recolocam o Desporto numa primeira linha de apaixonada polémica: próximos campeonatos da Europa de sub 21 (em Portugal) e do Mundo de Futebol, atletas portugueses presentes em Olimpíadas e nos mais altos campeonatos e meetings internacionais, boa presença de outros atletas portugueses em modalidades que até aqui não pareciam ser da nossa especialidade – automobilismo, ténis,desportos de Inverno,etc., alguns deles com boas hipóteses de discutir lugares no podium.
Mas há infelizmente muito mais. Também existem os “apitos dourados”, a violência e a indisciplina que grassam nos campos “desportivos” portugueses, o dirigismo desportivo, a falência financeira que tem levado à morte de alguns clubes e ameaça tantos outros, a qualidade das arbitragens e a suspeita que sobre a classe paira, a polémica entre desporto amador e profissional, o debate em torno da reestruturação de uma lei base do Desporto Nacional, etc).Por tudo isto nos pareceu ser esta uma oportunidade a não perder para trazer à ribalta alguns destes problemas e pô-los em discussão abertamente, e em conjunto, com entidades oficiais, técnicos, atletas e público em geral.
É evidente que um Festival deste tipo não pode ser apenas mais uma iniciativa cinematográfica, igual a tantas outras que regularmente se organizam um pouco por todo o lado. A ideia central é um pouco diversa e, nalguns aspectos, mais ambiciosa. Trata-se de um Festival cinematográfico temático, o que valoriza dois pólos: o cinema e o audiovisual, por um lado; o desporto, por outro. Não se trata apenas de seleccionar e mostrar um conjunto de bons filmes vindo um pouco de todo o lado, não se pretende apenas escolher títulos significativos de um autor, um “género”, um actor ou um tema, consoante as disponibilidades do mercado português. Pretende-se com este trabalho propor à consideração do espectador um grupo de filmes importantes mas, simultaneamente, propiciador de uma ampla discussão em torno do tema eleito. Há, pois, que ter em conta uma indispensável conciliação: ao seleccionar os títulos, a concurso ou em actividades paralelas, não está na mente de quem organiza o evento atender somente à qualidade exclusivamente cinematográfica das obras, mas também ter em conta a forma como essas películas e vídeos podem servir como base de discussão, despoletando, ou clarificando, um conjunto de questões essenciais.
Ao escolher os filmes que estarão presentes neste festival, bem assim como nos futuros, procurou-se isolar obras que fossem cinematograficamente significativas (recusando-se, à partida, as que não tivessem um mínimo de qualidade) e que surgissem, de igual modo, como problematizadoras de vários aspectos dos assuntos desportivos abordados. De qualquer forma, esta opção básica imporá sempre a selecção de bons filmes, apesar de por vezes não tratarem de forma exaustiva o tema, bem assim como obrigará à presença de películas porventura menos interessantes de um ponto de vista cinematográfico ou audiovisual, mas que, todavia, são de visão indispensável, dada a forma esclarecedora como levantam e desenvolvem certas questões. Ou dada a forma manipuladora e perigosa como o fazem, ainda que com muito engenho e arte, e estou aqui a relembrar Leni Riefenstahl e os seus “Deuses do Estádio”.
No caso destas “Imagens do Desporto”, algumas características dominantes se podem e devem sublinhar. Para já, há que referir o predomínio gritante de obras norte-americanas, o que se verifica neste ciclo como consequência de um dado real, verificável em termos absolutos. Sendo a competição um dos elementos centrais do desporto, e um dos aspectos definidores da sociedade americana, fácil é perceber a predilecção dos cineastas norte-americanos pela temática, dado que, através dela, podem exaltar ou criticar, inclusive metaforicamente, muitos aspectos marcantes do “american way of life” e da mentalidade que lhe está subjacente. Reforçando este ponto, algumas modalidades desportivas são particularmente privilegiadas, como acontece com o boxe, onde à competitividade se alia um individualismo de base num todo cheio de espectacularidade, avidamente procurado por oportunistas e exploradores de toda a espécie.O boxe tem,portanto,servido de espelho onde se reflectem muitos aspectos da sociedade norte-americana e tem-no feito de forma brilhante através de dezenas de títulos. Nesta edição do Fest_Sport_Lx_2006 apresentam-se alguns títulos que o ilustram de forma muito diversa. Pertencentes ao cinema americano, “O Touro Enraivecido”, de Martin Scorsese, “Cinderella Man”, de Ron Howard ,“Million Dollar Baby”, de Clint Eastwood, “Belarmino”, de Fernando Lopes, são algumas perspectivas diferentes, ora antagónicas, ora complementares. No caso português, “Belarmino”, de Fernando Lopes, é uma outra hipótese de abordagem, igualmente sugestiva e rica nas suas implicações. Mas muitos outros títulos excelentes se poderiam seleccionar. Se o Fest_Sport_Lx_2006 passar a Fest_Sport_Lx_2007, algo que poderemos desde já prometer é um grande ciclo sobre o boxe no cinema, demonstrando como esta associação tem sido particularmente frutuosa, existindo dezenas de títulos possíveis de citar, e, entre eles, algumas obras-primas, de um realismo denso e de uma vigorosa análise dos meandros em que o boxe se movimenta. Para apenas dar uma ideia da vastidão dos filmes, citem-se alguns obrigatórios; tendo em conta apenas a época sonora: “The Champ”, de King Vidor (1931),“Golden Boy”, de Rouben Mamoulian (39),“City for Conquest”, de Anatole Litvak (40), “Gentleman Jim”, de Raoul Walsh (42),“Body Soul”, de Adraham Polonsky (47),“The Set Up”, de Robert Wise (49),“Champion2,de Mark Robson (49),“The Iron Man”,de Tod Browning (51), “Somebody Up There Likes Me”, de Robert Wise (55),“The Harder They Fall”, de Mark Robson (55), “Designing Woman”, de Vincente Minnel-li (57), “Rocco e os Seus Irmãos”, de Luchino Visconti (60),“Requiem for a Heavyweight”, de Ralph Nelson (62),“The Great White Hope”, de Martin Ritt (70), “Fat City”, de John Huston (72), “Hard Times”, de Walter Hill (75), “The Greatest”,de Tom Gries (77),“Movie, Movie”, de Stanley Donen (78), “The Champ”,de Franco Zeffirelli (79), “Raging Bull”, de Martin Scorsese (80) ou a série “Rocky”, de John Avilsen e Sylvester Stallone (76-81).
Se se citaram todos estes títulos sobre boxe, alguns mais se poderiam acrescentar relacionados com a luta livre, entre eles “Night and the City”, de Jules Dassin (50),“Paradise Alley”, de Sylvester Stallone (78),“The One and Only”, de Cari Reiner (78) ou “All the Marbles”, de Robert Aldrich (81). Mas outras modalidades desportivas, como quase todas as que integram os Jogos Olímpicos,de Verão ou de Inverno, se poderiam citar, encontrando-se bem
documentadas na cinematografia norte-americana. Com particular relevo o atletismo, o
hóquei sobre o gelo, o ciclismo, os desportos náuticos, assim como outros, genuinamente americanos, como o basebol e o futebol americano. Sendo o futebol um desporto só agora em expansão na América, é na Europa que iremos encontrar mais exemplos que se lhe referem, nomeadamente nos países latinos, enquanto o “rugby”é visto essencialmente por anglo-saxónicos e franceses. Mas o facto de o futebol, como o andebol ou o basquetebol serem desportos colectivos também explica um pouco o desinteresse do cinema norte-americano por esta prática que, todavia, ultimamente ganha aderentes e títulos. Todo o filme se destina, pois, a um público específico que lhe delimita algumas das características. Não será também de estranhar que na América Latina, onde o futebol é “rei”, particularmente no Brasil, sejam relativamente frequentes as referências que lhe são dirigidas em diversas películas.
O futebol será o tema de vários filmes nesta edição do Festival: o clássico “Fuga para a Vitória” (Escape to Victory), de John Huston,“Um Domingo Qualquer” (Any Given Sunday), de Oliver Stone, “Joga Como Beckham” (Bend It Like Beckham), uma divertida comédia de Gurinder Chadh, “Golo!” (Goal!), de Danny Cannon, “Dias de Futebol” (Días de fútbol), de David Serrano, ou o clássico português “O Leão da Estrela”, de Arthur Duarte. No que diz respeito a modalidades olímpicas, nomeadamente o atletismo e a corrida, teremos
“Momentos de Glória”, do inglês Hugh Hudson. Sobre automobilismo, recordaremos Steve McQueen em “Le Mans”(Le Mans),de Lee H.Katzin.Para servir de pretexto a uma análise da violência no desporto, o filme de George Roy Hill,“Os Vencedores” (Slap Shot), pareceu-nos um bom ponto de partida, a que se junta “Rollerball”, de Norman Jewisson, onde se perspectiva um futuro algo negro para o desporto,que pode ser posto em causa, por razões que já se adivinham hoje.
Se o desporto é movimento, se o cinema é por definição a captação desse movimento em imagens que, projectadas a uma cadência determinada (vinte e quatro por segundo), restituem a ilusão desse movimento, raras associações serão mais felizes do que esta que este festival propõe. Esperemos que das imagens e do seu movimento saia uma dinâmica nova para o cinema e para o desporto nacionais, fruto de um entendimento mais perfeito dessas realidades e da sua inserção no espaço português.

_CINEMA PORTUGUÊS E O DESPORTO
No cinema português as imagens do desporto não são muito frequentes, e quando aparecem surgem quase sempre como vassalagem a uma modalidade, ou a um ídolo de momento, cuja popularidade se procura explorar. O futebol tem sido, por isso mesmo, o desporto mais citado.
“Bola ao Centro”,de João Moreira (1947),e “O Leão da Estrela”,de Arthur Duarte (1947),referem-se ao fascínio que essa prática exerce entre os aficionados, enquanto “Grande, Grande era a Cidade”, produção de Rogério Ceitil (1972), se acerca do fenómeno sob um outro ponto de vista, deixando adivinhar o muito de alienatório que essa atracção pressupõe. Ainda no campo do futebol, “Eusébio, a Pantera Negra”, que o espanhol Juan de Orduña veio rodar entre nós, nada mais pretende do que explorar, sob todos os ângulos, a celebridade alcançada pelo nosso maior goleador de sempre.
Popularidade momentânea foi também o trunfo de Alves Barbosa, “O Homem do Dia”, para Henrique Campos (1958),quando o ciclismo atingia alto grau de mobilização popular. O mesmo se poderá dizer da incursão do hóquei em patins em terreno cinéfilo: “Dois Dias no Paraíso”, de Arthur Duarte (1957), atravessa os terrenos dessa modalidade, numa época em que o hóquei
nacional se impunha internacionalmente como um dos (senão mesmo o) melhores do mundo.
Um dos títulos verdadeiramente importantes da filmografia por¬tuguesa no que ao desporto diz respeito é “Belarmino”,de Fernando Lopes (1964),retrato de um pugilista que poderia ter sido um dos maiores da Europa do seu tempo, e morreria pobre e doente, quase apelando à caridade pública. O filme é um retrato de corpo inteiro, tendo como cenário uma cidade (Lisboa), assumindo-se a trajectória do “boxeur”como metáfora do destino de um povo.
Depois do 25 de Abril algumas obras abordaram o desporto, sobretudo o futebol: “Fintar o Destino”,de Fernando Vendrel, e “O Nosso Futebol”,de Ricardo Costa, são dois casos curiosos.
Lauro António
